domingo, 27 de fevereiro de 2011

Relato de parto Ana Claudia

o Parto do Erik



Pessoal, este post é super especial para mim e está longo: 1º porque é o meu sonho realizado de ser mãe do Erik; 2º porque relata o modo magnífico, inesperado e abençoado do trabalho de parto do meu primeiro filho; 3º porque o parto normal também era um sonho que eu almejava há muito tempo, principalmente, de sentir meu filho nascendo; 4º porque é emoção demais, muita coisa acontecendo e se transformando ao mesmo tempo, então me perdi um pouco nas palavras, mas o sentimento é inesquecível! Toda as mamães sabem disso, independente do parto, o nascimento é algo divino!


Eu estava grávida de 38 semanas. Tinha acabado de deixar o quarto do meu filho e mala da maternidade pronta no domingo. E assim que estas tarefas se realizaram e o papai comprou o carrinho de passeio na segunda a noite, o último item do enxoval que faltava, inicia-se, quase que automaticamente o Trabalho de Parto do Erik, nos pegando de total surpresa!! Mesmo com o Erik nos meus braços, eu ainda estou muito impressionada com a rapidez com que tudo aconteceu, sendo que eu não tinha nenhum sinal ou sintoma do trabalho de parto, como diz a Sandra, “nadica de nada” e sequer o Erik estava encaixado.


A gestação do Erik foi muito feliz e saudável, sem intercorrências, incômodos, dores e nem mesmo enjôos eu tive. Curti demais, no máximo da plenitude, o meu barrigão, viajando, me divertindo, trabalhando, rezando, me alimentando normalmente, fazendo todas as atividades cotidianas que já realizava. Quando apareceram os primeiros sinais e sintomas do possível início de trabalho de parto não acreditei e não dei bola. Sério! Achei que eram apenas alguns incômodos que acontecem na reta final!... não passou pela minha cabeça que a “BOA HORA” havia chegado. E ela não foi boa, foi MARAVILHOSA, PERFEITA. Vou contar nos mínimos detalhes desde os primeiros sinais que tive, poucas horas antes do trabalho de parto, até o nascimento. Dividi em partes para enfatizar as características peculiares de cada uma delas.


Domingo, 06 de fevereiro de 2011


PARTE 1: começa a sair o tampão mucoso


No sábado fiz as últimas compras do enxoval do Erik e descansei no decorrer do dia. Domingo acordei empolgadíssima para ver o quarto limpo e arrumado, já que a única coisa que faltava era o carrinho de passeio. Limpei todo o quarto nos mínimos detalhes e com uma satisfação tão grande. Não senti dores e nenhum incômodo, pelo contrário, estava super disposta. Para mim, era diversão e alívio ver o quarto do Erik finalizado, do jeito que imaginei para recebê-lo, inclusive com a mala da maternidade pronta. Só faltava a roupa do papai para guardar.
A tarde, notei um muco transparente e não me importei, afinal, li em diversos lugares que o muco era branco, amarelo ou amarronzado com manchas de sangue. Ignorei e continuei fazendo minhas atividades me sentindo super bem.


Segunda, 07 de fevereiro de 2011


Parte 2: Conheço as primeiras contrações "lights"


Na madrugada, comecei a sentir as primeiras dores da gestação, na barriga e nas costas. Primeiro pensei que pudessem ser mais incômodos de final da gravidez, mas passado algumas horas, percebi que eram contrações, leves e espaçadas, duravam 30 a 40 segundos com intervalos de 15 a 20 minutos. Esforcei-me para dormir um pouco porque toda hora eu tinha vontade de ir ao banheiro e nada de realmente usar o banheiro rs


Pela manhã, eu e o Ivens acordamos super felizes... Pode parecer estranho, apesar de estar sentindo leves dores, dá vontade de contar para todo mundo para comemorar a felicidade de saber que estou tendo as primeiras contrações e que o corrimento transparente era o tampão mucoso sim, saindo aos poucos (pesquisamos no googleráculo). Rezei e torci tanto para eu sentir as contrações que me sentia realizada. Passei quase todo o dia agradecendo pela gestação que acontecia conforme o esperado. Apesar da empolgação não contamos para ninguém. Imaginamos que eu poderia ficar dias ou semanas tendo contrações leves e permanecemos discretos, afinal, isso deixaria todos e inclusive nós dois muito ansiosos.


Passei o dia descansando como se fosse outro dia qualquer, viajando na internet, na TV e fazendo a rotina da casa numa boa, com disposição. Minha doula Mara, quando ficou sabendo não teve dúvida e veio correndo para cá. Como ela estava em Santos, disse a ela que não tinha pressa, que poderia vir na terça ou quarta, éh mole... olhem só como eu estava viajando na maionese. Mas ela fez questão de vir no mesmo dia para acompanhar todo o processo. Enviei e-mail para a Sandra pedindo ajuda sobre o que fazer ao sentir estas leves contrações, imaginando que eu as sentiria por um longo período, mas não deu tempo de ler a resposta kkkk


Minha consulta com o Dr Urbano estava marcada para o dia 14/02 e a secretária dele me ligou na segunda a tarde dizendo que conseguiu um encaixe para mim na quarta, 09/02, porque ele queria me ver semanalmente, nem um dia a menos. Confirmei minha presença e pensei: na quarta-feira contarei a ele pessoalmente que as primeiras contrações começaram...ahahahahah. Eu estava totalmente desencanada da possibilidade do meu filho nascer nas próximas horas. Isso não passou pela minha cabeça, Durante as contrações eu preferia ficar em pé e apoiada num móvel baixo ou cadeira. Quase 21 horas da noite, chegou o papai com o carrinho de passeio: Tudo pronto!! Poderíamos ficar calmos e curtir em paz o final da gestação? Nããããooo. Missão cumprida = Iniciar nova missão para o Erik e para os seus pais de primeira viagem!


Por volta das 22 horas da noite as contrações começam a ficar mais fortes e menos espaçadas. O maridão segurou a barra firme e forte, superou todas as minhas expectativas e ele foi maravilhoso comigo. Eu tomava ducha quente, depois ele fazia massagens, passava hidratante e colocávamos bolsa térmica nos locais mais doloridos. Tomei muito suco e água. Era um ciclo. Aqui fazia muito calor. Fizemos isso umas 4 vezes. A minha paciência e o meu humor foram desaparecendo e comecei a ficar com medo, nervosa e assustada. Para me aliviar e já imaginando que o processo que eu entrara não tivesse mais volta, o papai teve a idéia de fazermos um rápido vídeo para o Erik e nele dá para perceber que eu não acredito que estou entrando em Trabalho de Parto. É cômico... estou sem palavras. Achava que as dores iriam passar por serem fracas e voltar no dia seguinte. Que eu iria sentir isto por muito tempo, no decorrer de toda a semana... sem comentários não é?


Terça, 08 de fevereiro de 2011


PARTE 3: Começa o Trabalho de Parto Ativo.


Exatamente, ás 23:50, a Mara chegou em casa justamente quando as dores começaram a se intensificar e ela fez uma massagem no sacro (abaixo da região lombar) que me aliviou pra caramba. Fiquei mais tranqüila com ela do meu lado por ela ser super experiente em acompanhar partos normais e pedi para meu marido para ficarmos mais um tempo em casa porque não queria ir para a maternidade sem ter certeza que o Erik iria nascer...pois é, na minha cabecinha oca não tinha caído a ficha que era certeza que ele iria nascer kkkk Como eu estava despreparada... Já o meu marido achava que as contrações só iriam se intensificar e ficou muito preocupado em me ver tendo as dores sem saber em quantos dias isso acabaria... muita emoção mesmo! Agora estou rindo e me divertindo muito ao lembrar.


Como as dores iam cada vez mais se intensificando, decidimos ir para a maternidade para não sofrer tanto com as contrações e as trepidações dentro do carro. O Ivens levou primeiro as malas para o carro e os porteiros do prédio ajudaram a arrumar o carro. Ligamos para o meu obstetra ás 2 horas da manhã rumo à maternidade. Cheguei lá com 5 dedos de dilatação (o medico plantonista foi antipático, mas o exame não doeu - foi o meu primeiro exame de toque). Tive um misto de sensações: feliz e orgulhosa por estar com dilatação e realizar o sonho do parto normal, por outro lado, era a confirmação de que o Erik chegaria e como isso me pegou de surpresa fiquei super ultra mega emocionada, só que isso não me ajudou a ter o controle das contrações... já era... eu estava maluquinha.


A Mara e as enfermeiras me levaram para a ducha e voltei a relaxar porque eu estava numa adrenalina só e muito agitada. O dr Urbano chegou muito rápido e assim que o vi fiquei mais calma. Eu conversei com ele no celular e estava maluca de dor. Ele fez o exame cardiotoco, deu tudo OK, confirmou rapidamente sobre o meu plano de parto (anestesia, quem iria assistir, fotos, pegar meu filho assim que nascer, etc). Talvez tenhamos falado mais coisas, porém, como eu já estava na partolândia, nem me lembro direito, só sei que ele me acalmou muito.

Entramos no centro cirúrgico por volta das 3 da manhã. Do jeito que estava: sem depilação, unhas compridas com esmaltes nos pés, cabelo espatifado e sem os procedimentos invasivos. Me lembro certinho de quando colocaram a touca e o protetor dos pés porque eu estava sem contração neste momento. A anestesia teve efeito imediato, não doeu a aplicação. Meu obstetra arrumou a maca do jeito que combinamos: fiquei semi-sentada, quadril rebaixado, pernas quase na altura do quadril, sem levantá-las. Eu já estava com quase 10 de dilatação e meu obstetra rompeu a bolsa, porém a cabeça do Erik segurava bastante líquido. Tudo foi muito bem explicado e os profissionais foram atenciosos e compreensivos comigo. Me senti tão a vontade, segura com a equipe, que ri várias vezes, conversava com eles sobre tudo o que acontecia, eufórica com o grande momento do nascimento.


Logo em seguida, começou a fase expulsiva: fazia força conforme vinham as contrações. Eu sentia muito de leve as contrações, quase nada, estava dispersa, sem foco. A equipe conversou comigo para eu me concentrar em fazer força, fazer o movimento para o meu filho nascer, mas não deu certo da primeira vez e isso atrasou um pouquinho o nascimento do Erik sem causar nenhum problema. Só quando meu marido entrou no centro cirúrgico todo “fantasiado” como os médicos, é que a ficha realmente começou a cair. Ele me incentivou a fazer mais força para o nosso filho nascer e de repente SENTI o Erik nascendo. Pois é, eu senti o Erik nascendo, desde a passagem da cabeça, ombro, costas, bumbum e o cordão umbilical. Eram 4:05 horas. Senti mas sem dor alguma por causa da anestesia. É um prazer indescritível! Imenso! Êxtase total! Ainda bem que o Ivens filmou e fotografou tudo. Na filmagem minha voz está totalmente zen. Eu achei que não ia sentir nada e recebi mais este grande presente: É BOM DEMAIS! no vídeo (não vou postar no blog porque achamos muito particular este momento) é nítido como eu sinto muito prazer nessa hora ...maravilhoso!


Depois do cordão umbilical ser cortado, meu filhão, "o bonitão", chegou aos meus braços em questão de 2 ou 3 minutos e ficou comigo um tempão. O pai tirou bastante foto e babou na gente. Mas não agüentou a ansiedade e felicidade e saiu da sala para contar para os familiares, é mole. De repente, ele sumiu da sala e todos riram: onde ele foi?? Nos meus braços, rapidamente eu reconheci o Ivens no Erik: os olhos, as olheiras, a boca, o nariz, as orelhas, as mãos, os pés... pessoal, é quase a versão mini do papai. O cabelo e a pele são parecidos comigo. Todos comentaram: que bebê compriiido! O Erik calminho não chorou no nascimento, nem depois... calminho o tempo todo. Parece tão adaptado à sua primeira semana. Teve nota 10 no teste de apgar e a pediatra neonatal disse que não tem problema nenhum ele não chorar. O Erik chegou com tudo, mas fazendo pouco barulho ;-) Estou tão orgulhosa!


Que satisfação com tudo o que aconteceu: desde o apoio do marido, ao ótimo pré-natal com o Dr Urbano, à minha doula Mara, às enfermeiras da Maternidade Antoninho Rocha Marmo, às mamães blogueiras e, principalmente, ao Senhor, eu agradeço à dádiva de ter um parto tão bonito e intenso. Muito obrigada!

Um comentário:

eduarda e geisel disse...

Oi, bem eu li seu post por acaso procurando relatos de trabalho de parto e achei tudo lindo. Parabéns!! To com 39 semanas e não vejo a hora de td começar p mim tbm! beijoos e tudo de bom p vc e sua familia!